quinta-feira, 8 de agosto de 2013

História da África

A história da África é conhecida no Ocidente por escritos que datam da Antiguidade Clássica. No entanto, vários povos deixaram testemunhos ainda mais antigos das suas civilizações. Para além disso, os mais antigos fósseis de hominídeos, com cerca de cinco milhões de anos, foram encontrados na África, permitindo considerá-la o "berço da humanidade".8
O Egito foi provavelmente o primeiro Estado a constituir-se na África, há cerca de 5000 anos, mas muitos outros reinos ou cidades-estados se foram sucedendo neste continente, ao longo dos séculos. Podem referir-se os estados de Kush e Meroé, ainda no nordeste de África, o primeiro estado do Zimbabwe e o reino do Congo que floresceram entre os séculos X e XV.
A estrutura moderna da África, em termos de divisão entre estados e línguas de trabalho, no entanto, resultou da partilha da África pelas potências coloniais europeias na Conferência de Berlim. Com exceção da Etiópia, que só foi dominada pelo Reino de Itália durante um curto período, e da Libéria, que foi um estado criado pelos Estados Unidos durante o processo de abolição da escravatura, no século XIX, todos os restantes países de África apenas conheceram a sua independência na segunda metade do século XX.
Crânio de Proconsul heseloni

Paleontologia
De acordo com as descobertas recentes de fósseis de hominídeos, a África parece ter sido o "berço da humanidade", não só onde, pela primeira vez, apareceu o Homo sapiens, mas também grande parte dos seus antepassados, como os Australopithecus (ver Swartkrans, por exemplo).



Antiguidade



Nos meados do segundo milênio a.C., a ameaça asiática levou o Egito ao expansionismo, principalmente após a XVIII
Crânio encontrado em 1921
dinastia, quando sua história ligou-se profundamente ao Oriente antigo.10 No fluxo de riquezas desse período surgiu a decomposição sócio-política do Egito.11 Caminhou, assim, para a anarquia, caindo, por fim, no domínio macedônico.12
O governo cartaginês foi aristocrático, dominado pelos homens de negócios, submetendo as classes menos privilegiadas pelo terror e corrupção.13 Ultrapassando o estreito de Gibraltar, os navios cartagineses fizeram comércio com tribos do litoral atlântico da África e Europa.14 Por terra, através do Saara, o comércio com o Sudão foi intenso.nota 1 As lutas contra o crescente poderio romano levaram Cartago à completa destruição.13 15
Sila, o patriarca dos ditadores: Mário e Sila.</ref> domínio da Numídia (25 a.c.),nota 2 e da Mauritânia (40 d.C.).nota 3

A expansão do Islão.

Porta tradicional do litoral suaíli, estilo Zanzibari, em Zanzibar.

Cabeça de marfim, Reino do Benim, século XVI (Metropolitan 
Museum of Art).
Na África oriental, os árabes muçulmanos exerceram também sua dominação, mas em caráter periférico. Nos séculos VII e XI estabeleceram uma série de postos na costa africana do Índico: Mogadíscio, Melinde,< Mombaça, Pemba, Zanzibar, Moçambique, Quiloa, Sofala e Madagascar. O interesse era puramente comercial e não de conquista e conversão religiosa. Nas cidades, os árabes representaram a aristocracia financeira, miscigenando-se com a população local. Cada cidade viveu independentemente, com ligeira preponderância de umas sobre outras, não formando impérios. Essa influência árabe terminou no começo da Idade Moderna, ao surgir o domínio português.

"Lucy" ou Lilia no Museu Nacional
de Antropologia da Cidade do México
Idade Moderna

Os ibéricos, principalmente os portugueses, iniciaram a conquista da África que, dos séculos XV a XVIII, foi periférica. Em 1415 os lusos tomavam Ceuta. Logo uma série de pontos no litoral norte-africano caíram em mãos europeias. Nessa ocupação restrita, a expansão da fé cristã representou importante papel. Contra essa intervenção, santos locais ou marabus insuflaram a guerra santa. Independência e luta contra o infiel caracterizaram os movimentos berberes. A reação nativa estava presa também à decadência do tráfico caravaneiro no Saara em demanda do Maghreb, pois os portugueses e depois holandeses, ingleses e franceses desviaram para o litoral atlântico o comércio de ouro e escravos. No começo do século XVI, os turcos otomanos, que destruíram o império bizantino e irromperam na Berberia, ocupam postos estratégicos no litoral, dedicando-se ao corso do comércio cristão no Mediterrâneo. Internamente os conflitos turco-árabe-berberes delinearam as atuais Tunísia, Argélia e Marrocos. Os turcos deram ao norte da África uma organização baseada nos chefes locais, prestando tributo a Constantinopla. Aos poucos, o domínio do sultão tornou-se nominal, deixando aos governadores militares a iniciativa na administração e conquista. 
As quatro colossais estátuas de Ramsés II
na entrada do templo de Abu Simbel,
símbolos da civilização do Antigo Egito.
Para os portugueses, além da obtenção do ouro de que necessitava a burguesia europeia, a África representava um objetivo mais longínquo: a instalação de entrepostos que balizassem o caminho oceânico para as Índias. Assim reconheceu-se Serra Leoa. Em 1482, Diogo Cão chegava à foz do rio Congo; em 1488, Bartolomeu Dias dobrava o cabo das Tormentas (Boa Esperança) e em 1497, Vasco da Gama, após contornar o mesmo cabo, tocava em Natal, Sofala e Melinde, chegando afinal a Calecut. Abria-se nova era no comércio internacional e o litoral da África representava o papel de fornecedor e escala. O trânsito direto das especiarias para Lisboa provocou enorme golpe na economia egípcia, declinando o comércio de Alexandria. Os portugueses, pela destruição do comércio árabe e da frota egípcia, dominaram o oceano Índico até o começo do século XVII.
Tornaram-se defensores da Abissínia, realizando o sonho secular da aliança com as terras do Preste João. A catequese levou jesuítas e dominicanos ao contacto com os bantos, que a eles reagiram violentamente. Portugal procurou dominar os portos de escoamento de ouro,
A expansão do Islão
marfim e pimenta. Fracassou a tentativa da posse do ouro de Bambuc. Abaixo do equador, os lusos instalaram-se em pontos que foram a origem de Angola e Moçambique, visando ao ouro da Rodésia e às lendárias minas de prata do sul do Congo. Até à época do domínio espanhol (1580) os portugueses exerceram o monopólio do tráfico negreiro, abastecendo as plantações do Brasil. Daí em diante franceses, holandeses e ingleses entraram no tráfico.
As companhias de comércio da era mercantilista dividiram entre si as zonas de exploração. No século XVII, os neerlandeses, mais bem equipados, dominaram o tráfico. Na centúria seguinte, ingleses e franceses lutaram pelo privilégio do "asiento". No litoral atlântico, o tráfico estendia-se numa faixa de 3500 km de costa entre a Mauritânia e o Congo. Na segunda metade do século XVIII, o tráfico
Massinissa
estendeu-se a Angola. O escambo fazia-se com a troca de negros por mudas de cana-de-açúcar, tabaco, aguardente e produtos da Ásia.> Nessa época, pelo menos 100 mil escravos eram exportados por ano. Com o advento da Revolução Industrial, os interesses europeus somaram-se à ação de seitas religiosas e dos filantropos, e a escravidão foi combatida. Mas continuou, sob mil disfarces. O comércio escravo atingiu o interior, despovoando grandes áreas em virtude das razias que as tribos litorâneas, mancomunadas com os negreiros, realizavam.

Império Ashanti (esboço vermelho) durante o século XIX.
Mapa das civilizações africanas antes da colonização europeia.
Enquanto isto, no Sudão ocidental, formaram-se, no século XVII, alguns reinos, como de Andres, no baixo Daomé, e dos Ashanti, na Costa do Ouro (hoje Gana). Estes lutaram contra os ingleses no século XIX. Os tuculores islamizados fundaram, no século XVIII, um reino
Porta tradicional do
litoral suaíli, estilo Zanzibari, 

em Zanzibar.
teocrático no Futa-Djalon e depois no Futa-Toro. No século seguinte, o conquistador El Hadj Ornar unificou os tuculores num império que ia do Senegal a Tombuctu, fazendo frente à dominação francesa.
No Sudão central, o reino de Bornu a oeste e a sul do lago Tchad viveu submetido ao despotismo de chefes indígenas, desde o século XVI, e no século XIX ainda era forte, comerciando com a África do norte. Dos séculos XVII a XIX, o Uadai, no sudeste do Chade, foi unificado por um grande império, que entrou em decadência nas lutas contra Bornu. No Sudão ocidental, o Darfur, dirigido desde 1596 por uma dinastia árabe, alcançou esplendor nos séculos seguintes. A islamização da África ainda continua, apesar de todos os embates com o mundo ocidental.
No século XIX, a metade da população sudanesa era islamizada. Os wolofs ou volofs, os
Cabeça de marfim, Reino do Benim, século XVI
(Metropolitan Museum of Art).
tuculores, os saracoleses, os songais, além de outros grupos, usavam o árabe e escreviam em árabe, não abandonando os dialetos locais.

Povo Bambara no vale superior do rio Sénégal, 1890. (ilustração do Coronel Frey, da costa ocidental da África, 1890, 
Muitas tribos continuaram isoladas do islamismo, como os bambaras, os sereres, os mossis, as tribos do Sudão do Sul e da floresta equatorial, em grande parte.
Desalojados da Guiné pelos holandeses, os portugueses conservaram Angola e Moçambique. Os neerlandeses estabeleceram-se em 1651 no cabo da Boa Esperança, devido às vantagens para o comércio no Oriente.
Só em 1795 os holandeses iniciaram a colonização na África meridional, com dois mil colonos, incluindo também huguenotes franceses, estabelecendo-se no Karraoo.

Idade Contenporânea
Uma carta náutica de Fernão Vaz Dourado, da África 

ocidental extraída do atlas 

náutico de 1571, pertencente ao Arquivo Nacional

 da Torre do Tombo, em Lisboa.

No fim do século XVIII a política napoleônica dirigiu-se ao norte da África. Bonaparte, pretendendo transformar o Mediterrâneo em um lago francês, isolando o poderio inglês das rotas do Oriente, lançou-se ao Egito em 1798. Embora terminasse derrotado, tirou o poder aos mamelucos e abriu caminho para o renascimento egípcio. Em 1805, Maomé-Ali fez-se reconhecer paxá pelo sultão turco, que exercia poder nominal sobre o norte da África. Chefe da milícia albanesa, fortaleceu o seu poder a partir de 1811, liquidando os restos do poder mameluco. Organizou um Estado centralizado e com o concurso de estrangeiros preparou enorme exército e grande esquadra e reorganizou a indústria e a agricultura. Seguindo uma política expansionista, Maomé-Ali conquistou Senar e Kordofan, criou Kartum e auxiliou a Turquia na sua tentativa de reprimir a insurreição grega. Em 1840, a Inglaterra obstou suas pretensôes sobre a Síria. Seus sucessores desbarataram os recursos do Egito e os financistas internacionais dominaram o país. A Inglaterra opôs-se à abertura do canal de Suez, mas acabou possuindo a maioria das ações do canal, abrindo novas perspectivas para o comércio com o Oriente. O fim do século XIX marcou nova perda da independência política do Egito, com o enfraquecimento do império otomano e o domínio britânico.
Na África do Sul os ingleses anexaram o Cabo e, juntamente com os bôeres, apropriaram-se das melhores terras dos nativos. A interferência de missionários protestantes levou à extinção da escravidão. A pressão inglesa determinou a emigração em massa dos bôeres para a região dos rios Vaal e Orange (1834-1848), fundando-se dois Estados: Orange e Transvaal. Os choques com os zulus (grupo banto) multiplicaram-se, tendo os nativos formando uma confederação de tribos, chefiados por Chaka, defendendo-se tenazmente.
Em 1830 os franceses invadiram a Argélia e iniciaram a colonização nos governos de Luís Filipe e Napoleão III. A Berberia islamizada vem resistindo nestes dois séculos à dominação europeia. O grande chefe berbere foi, no século passado, Abd el-Kader, que levantou as tribos em guerra santa.
Em 1847, a colônia que filantropos americanos haviam fundado entre Serra Leoa e Costa do Marfim transformou-se na república negra da Libéria.




Fonte:Wikipedia

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